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Mínimo sou, mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade, o Nada é só o Resto. Reinaldo Ferreira

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Friday, October 17, 2008

Ralhar não dói

Ensino as vogais, as consoantes, os ditongos, as unidades, as dezenas e as centenas, o “e vai um”, os meses do não e os dias da semana.
E penso… como é que eu aprendi isto tudo? Quero dizer… que método usou a minha professora para me ensinar essas coisas? Porque nessa altura ainda não se falava no lúdico. A didáctica era feita basicamente a reguadas. Estas não eram anti pedagógicas e quem as levou parece exibir uma espécie de orgulho por tê-las levado. Não ficaram traumas.

Em quatro anos de escola primária levei uma reguada. Injustamente. Deixei cair um lápis a meio de uma explicação da professora.

A régua tinha usos muito abrangentes. Além de controlar comportamentos desviantes, de distinguir classes sociais, era também o “apoio educativo” e o “ensino especial”para dificuldades de aprendizagem.

Ainda bem que a régua desapareceu dos estabelecimentos escolares pelo seu uso indevido.

Contudo, verificando-se actualmente que houve um salto da indisciplina para a violência na escola, que afecta bastante a relação pedagógica, algo mais será preciso que o simples sermão porque ralhar não dói.
Leonoreta

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16 Comments:

Blogger heretico said...

a justa medida das coisas.

tens razão - perdeu-se!

beijo

9:03 PM  
Blogger viajante said...

Quando levava reguadas, não gostava.
(e não consigo recordar quantas foram).
Mas gosto menos de saber da indisciplina que agora se instalou nas escolas.
Bom domingo, professora.
Bj

6:32 AM  
Anonymous mar said...

Não vai ser tarefa fácil, educar crianças e adultos neste mundo q é o nosso e parece ter perdido o rumo. Hj em dia educação é algo q falta a miudos e gaudos... não vai ser fácil.
Força, coragem e alegria nesa tua árdua tarefa.

Beijos e bom domingo


PS
Achei por bem acrescentar aqui, q julgo q a PRIMEIRA Professora, a q agora se chama prof do 1º ciclo é a q mais nos marca. Eu, ainda hj de qd em qd visito a minha, uma já velhinha, simpática e linda senhora

12:15 PM  
Blogger éme. said...

Ralhar pode doer, sim.... Mas para isso é preciso perceber o que importa quando as pessoas falam e Se falam entre si. Os adultos andam distraídos e pouco dizem nas coisas que falam, os miúdos perceberam que o que se diz se pode desdizer e a palavra está a perder peso, sentido, poder(?!)
Ralhar faz doer, sim!
Mas agora, para que a palavra dita quando se ralha, doa, é quase assassina, é quase mortífera. É "perigosa"...

...
Leonor, percebi a narrativa, sim...
Também sou do tempo em que a brincadeira acontecia só (e mesmo essa, com juizinho!) no recreio. Também não sei como aprendi e também tinha medo da réguada que nunca experimentei mas que via colegas conhecerem bem demais e por quase tudo. ...
Sempre pensei que um abanão na hora certa faz toda a diferença, que um arrepiar a tolice só faz bem e que uma estaladinha a enxotar uma mosca quando a pele se distrai e é preciso prevenir a picada, só tem de ser agradecida!
:)
Há, de um antigo secretário de estado de um Ministério de que nem sequer gostei, uma separatazinha sobre A Relação Pedagógica - é de Pedro d'Orey da Cunha - e lá está bem claro que: ralhar na hora certa e chamar a atenção quando a atenção escapa: É sinal de estima! E urgente cumprir-se, a bem disto que é a Educação.

Força, Leonor!
Os meus "meninos e meninas" são os do final do percurso mais longo e... para estes, ralhar amassa e o cuidado tem só de ser outro...

4:10 PM  
Anonymous João Norte said...

Como aluno, sou do tempo da reguada.
Sou professor. Trabalhei 4 anos como professor do Ensino Básico,
Ex- Ensino Primário. Depois de me licenciar, estive vários anos como formador.
Isto apenas para dizer que conheci bem a reguada, os seus defensores e os que se lhe opunham e todas as correntes pedagógicas do Século XX. Não é pedagógica, nunca deveria ter sido usada porque não tem nada de pedagógico.
Não podemos confundir a falta da reguada com a indisciplina, com o desrespeito pelo professor. O que se passa hoje, e é muito grave, é a falta de educação dada pelos pais, a falta de respeito por quem exerce qualquer cargo, por quem é mais velho, por todos e quaisquer valores de educação. É esta falta muito grave que se faz sentir nas escolas.

7:27 PM  
Blogger batista said...

espero que venhamos a (re)aprender (como bem disse Herético) "a justa medida das coisas". por cá tivemos um educador e pedagogo, Paulo Freire, que deixou-nos um belíssimo legado e que hoje, as forças conservadoras de extrema direita tentam desconstruir através dos grandes meios de comunicação: achincalhando não só a sua memória e obra, como também não reconhecendo o poder transformar que a Educação deve ter/tem.

deixo um abraço fraterno e solidário, Leonor.
que a tua semana seja de muita Paz.

10:52 AM  
Anonymous JMC said...

Por acaso, também sou do tempo em que as reguadas eram distribuídas diariamente e em abundancia quase a 100% dos alunos, ninguem achava a pratica desse correctivo agradavel, mas pelo menos tocava a todos pobres ricos e remediados, bastava para tal que:
Não fossem feitos os deveres(TPC´s), falta de atenção na sala, falar com os colegas, erros nos ditados, reponder erradamente as perguntas das mais variadas materias que faziam parte do ensino primário, (agora básico), àh havia prova de passagem todos os anos lectivos e exame final na 4ª classe e outro de admissão ao liceu e ainda outro de admissão ás escolas tecnicas, parece que agora está mais facititado, isto é não há nada.
Quantos às reguadas, convivo ainda com muitos Colegas de escola primária, todos ao longo desses 4 anos levamos pela medida grande, não noto em mim nem neles qualquer sinal de trauma que advenha da infancia, contudo não estou de acordo com o metodo que se aplicava, primeiro porque o senti na pele, segundo por hoje há processos de se poder manter alunos nas aulas bem comportados disciplinados e com bom aproveitamento escolar sem esse tipo de 'violencia', haja vontade.

Boa semana.

JMC

2:30 PM  
Blogger manhã said...

a indisciplina é um facto e não há instrumentos eficazes para a combater, vivemos sempre entre o discurso da disciplina máxima e do deixa andar e ainda não encontrámos o meio termo.

9:00 AM  
Blogger Mocho Falante said...

pois é, hoje em dia tudo é causa de trauma, mas a verdade é que as criancinhas estão cada vez piores...algo esta podre no reuno da dinamarca

beijos

12:11 PM  
Blogger Leonor said...

OLA JMC

desculpe o agradecimento tardio à sua visita e ao seu comentário que é um depoimento sincero e verdadeiros dos tempos idos. cada um foi vivendo a "primária" à sua maneira. de um modo geral não eram tempos fáceis para as crianças. agora caiu-se no extremo. não são tempos fáceis para os professores.
abraço

8:20 PM  
Blogger heretico said...

beijo

1:06 PM  
Blogger A.J.Faria said...

Olá, Leonor!
Excelente reflexão nos apresentas.
Sim, as reguadas eram a imagem de marca da época, mas também serviam para impor uma certa disciplina nas aulas, o que hoje infelizmente não acontece.
O método não era o mais correcto mas, e atendendo à realidade que hoje vive-se em muitas escola, conseguia-se evitar um clima de violencia entre alunos e professores.

Bjs

12:40 AM  
Blogger batista said...

Leonor, Amiga: passo e deixo um abraço fraterno.

Serena teu Espírito, Amiga. Deixa que as palavras brinquem dentro de ti, sem pressa: como água de uma nascente, sem pressa de escorrer.

10:24 AM  
Blogger Maresia said...

Goastei... Colega!

11:50 AM  
Blogger Saltapocinhas said...

ai não que não dói!!

desde setembro que tenho andado mal da garganta!!

(ai referias-te aos alunos?
pois!!)

posso roubar o teu post??

11:22 PM  
Blogger APC said...

Mas a verdade é que em tempos um ralhete doía!

Também levei uma com uma régua de madeira quase maior do que eu. O colégio tinha professores já velhotes que não usavam de violência, e por lá entreou uma noviça doidivanas que gostava de abusar dessa maneira... Irónico!

6:52 AM  

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