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Mínimo sou, mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade, o Nada é só o Resto. Reinaldo Ferreira

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Dizem que sou como o sol mas com nuvens como na Cornualha

Friday, March 30, 2007

Fragmentos dela, dele e às vezes dos outros (7)

A meio das suas vidas tropeçaram um no outro. Pensaram que foi sem querer mas já tinham combinado o encontro noutra dimensão.

Há pessoas que conhecemos desde crianças e que nos acompanham durante quase toda a nossa vida. Existem outras que só aparecem em determinados momentos por determinados períodos. Algumas nunca mais as vimos. Outras, vamos encontrando por ai. São as fadas e as bruxas que nos influenciam nos avanços e nos recuos da nossa espiritualidade.

Eles pensavam que se tinham cruzado por acaso porque a alma, no dizer de Platão, quando cai no corpo, esquece-se, para pensar que pode viver a sua livre iniciativa.
Ele era o senhor do vento, que às vezes há, outras vezes não. Ela era a dona das nuvens sempre envolta numa névoa que lhe tapava os sentidos e não a deixavam ver a realidade.
Não tinham tempo um para o outro porque não faziam parte do espaço quotidiano de cada um. Ou não tinham espaço porque não tinham tempo.

Tropeçaram um dia e continuavam a tropeçar de vez em quando com segundos de partilha em séculos. Mas só quando havia vento. Mas só quando havia nuvens.
da Leonor

23 Comments:

Anonymous bomdiaisabel said...

Tropeçaram um no outro a meio das suas vidas. Seria bom que, juntos, tivessem prosseguido o caminho. Estariam talhados um para o outro? Parece-me que sim. O segredo está na complementaridade e, neste caso, vento e nuvem podem manter um equilíbrio harmonioso para sempre.
Gostei Leonor. Voltarei para reler e, quiçá, para comentar.
Beijinhos

9:07 PM  
Anonymous pedro alex said...

Fico desconcertado com a forma serena, cristalina, de como descreves estes desencontros.
Sem duvida já passei por muitos. Nunca teria a capacidade de os sentir assim, quase conformado, como se a minha incapacidade para alterar o destino fosse um dado adquirido.
Ao ler os teus fragmentos fico com uma tentação enorme de os alterar…
Um abraço.

1:11 AM  
Anonymous Anonymous said...

O destino marca a hora? (Como a distância se faz tempo, e o tempo se faz cura).
Grande Tony de Matos, que foi um grande cantor…

Mas…
Maio maduro Maio / Quem te pintou /
Quem te quebrou o encanto / Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul / E uma falua vinha/ Lá de Istambul
(como o vento).

É em Maio que o vento é mais quente. Trás cheiro a rosmaninho e às flores amarelas de trevo que inundam os campos.
E às papoilas vermelhas no meio do cereal, à terra ainda húmida e ao alcatrão molhado.
Também.

Num território que não tem latitudes, (porque o tempo não lhe dá espaço), o Suão faz-se Levante como filho dum Siroco perfumado dos cantos de Sherazade. E as nuvens que saltitam, são os brancos olhares que deambulam no horizonte.
Afinal, o horizonte faz-se de tropeções. Dela, dele, sempre (e para ).
E às vezes (também) dos outros.

Nota: Cara Leonor, já reparou que com o acentuar da mudança de clima, verifica-se nos dias de hoje, que está praticamente sempre nortada? Notável é que se tal se revela deveras desastroso para a utilização da praia, é contudo uma bênção nestes tempos de energias limpas.

2:58 AM  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Leonor
Realmente, a história das nossas (múltiplas) vidas. Nem sempre nos encontramos na mesma posição social, mas se procurarmos, sentimos que já passamos por aqui.
Um beijo
Daniel

6:46 PM  
Blogger A.S. said...

Querida Leonor,

Quantas vezes é no silêncio que nos abrigamos das nossas ausências, que o tempo vai consumindo em noites cada vez mais longas...
Um silêncio que não tem voz, mas não se cala!
Depois, acabamos sempre por adormecer num só corpo e acordar em destinos diferentes!...


Um terno abraço!

7:43 PM  
Blogger Mocho Falante said...

linnndo Leonor, fiquei deveras arrepiado como brincaste com as palavras...é de uma sensibilidade fantástica, PARABÉNS

beijocas

8:15 PM  
Blogger Paula Raposo said...

Um texto que daria 'pano para mangas'. Digo eu. Beijos.

8:33 PM  
Blogger Leonoretta said...

PARA ANONIMO

ao tempo que já comenta os meus textos ja lhe conheço (penso conhecer) o seu estilo metaforicamente bi direccional.
desculpe, mas hoje não tinha palavras mais adequadas para me expressar.
isto para lhe dizer que gosto do que escreve: uma realidade nua e crua para quem a entende e simultaneamente muito poetica.

leonoreta

8:46 PM  
Blogger António said...

Querida Leonor!
Desta vez os fragmentos parece estarem fragmentados.
Gostei da forma literariamente superior como abordaste a questão dos altos e baixos da relação dele e dela.

Beijinhos meus

8:58 PM  
Blogger augustoM said...

As almas gémeas que nem sempre se encontram no mesmo espaço, mas que partilham a mesma temporalidade.
São "partidas" da vida que provocam os encontros e os desencontros.
Um beijo. Augusto

10:48 AM  
Blogger Arte por um Canudo 2 (No Sapo) said...

Como sempre... Lindo. Este duo já não se complementa como o outro atrás citado. Vento e nuvens não parecem combinar. Estes continuam a tropeçar um no outro.Não são como diz o povo "se existe panela também existe o texto para ela". Não é o caso...Bjs

2:31 AM  
Blogger bom dia isabel said...

A Primavera tarda embora os campos já comecem a estar em flor.O frio do Inverno perdura. Desejo-te uma bos semana.
Beijinhos

9:48 AM  
Blogger libertynus said...

abençoado vento

7:47 PM  
Blogger lena said...

Leonor, minha doce amiga,

tropecei na vida.


abraço-te com muito carinho

beijos, muitos

lena

11:10 AM  
Blogger peciscas said...

Já agora:há uma Ministra que consegue vencer um duelo com jovens estudantes.
É de gritos!
Pode ser visto e ouvido no Peciscas.

6:35 PM  
Anonymous lena said...

Leonor doce e querida amiguinha

tropeçamos muitas vezes, precisamos de saber como nos levantar

conhecer é partilha, é contacto mesmo por palavras escritas, é diálogo, é ser …

tropeçamos, sonhamos, sentimos, abrigamo-nos, ficamos ausentes, silenciamo-nos no tempo, tudo de costas voltadas

o sr do vento e a sra dona das nuvem como os conheço bem...

tropeço sim muito

abraço-te com todo o carinho, este teu texto diz tanto e está muito bem escrito, pegas sempre em temas que nos dizem tanto e eu acabei envolvida na neblina, valeu-me as tuas palavras que são como o sol, aquecem a alma!

beijinhos para ti, muitos

lena

8:59 PM  
Blogger Cusco said...

Olá! Aproveito para deixar os votos de uma Santa e Feliz Páscoa!
O texto que acabei de escrever tem por objectivo homenagear todos os meus familiares: Os vivos, os mortos e os que estão por nascer ainda. O mundo é muito, muito pequeno.. … quem sabe se esse cheiro a flores não te persegue e protege a ti também….Para Sempre!!!
Até breve
SE DEUS QUISER

5:07 PM  
Anonymous Anonymous said...

Olá, Leonor!
A vida por vezes é um conjunto de realidades que se cruzam, nem que seja ocasionalmente.
Bom post!

Um grande beijinho!

12:07 AM  
Blogger JLBM said...

Cada vez que tenho tempo para aqui passar, gosto sempre de ler os teus textos...

;)

8:10 PM  
Blogger sonhadora said...

Só tropeçavam um no outro quando as condições o permitiam. De resto, sonhavam. Uma boa Páscoa.
Beijinhos

6:22 AM  
Blogger Pepe Luigi said...

Leonor,
Muitos parabéns pela encantadora forma da tua escrita.
Esta fábula natural embora numa figura de estilo narrativa, fez-me voar pelos espaços do meu recheado passado infantil.

Desejo-te uma boa e tranquila Páscoa.

Um beijinho
do Pepe.

8:49 AM  
Blogger APC said...

Tão bonito... Vou ler para trás! :-)

12:49 AM  
Anonymous rita said...

Que blog...Mais um que me encantou pelos textos e por incrível q pareça consegui obter algumas respostas para algumas situaçoes pelas quais ja passei e q estao aqui descritas quase ao pormenor!
Virei mais vezes decerteza!;)

cpts

8:39 PM  

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