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Mínimo sou, mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade, o Nada é só o Resto. Reinaldo Ferreira

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Dizem que sou como o sol mas com nuvens como na Cornualha

Friday, February 16, 2007

Fragmentos dela, dele e às vezes dos outros (3)

Saiu do barco apressada, um pouco entalada por outras pessoas que, como ela, ganhavam tempo na pressa de sair. No batelão tentou furar por todos os espaços disponíveis, ultrapassando os mais lentos. Na rua, correu para a camioneta. Ocupou o seu lugar na fila. Atrás dela mais gente ajudava a crescer a fila de espera. Enquanto a camioneta não chega olha-se o horizonte: meio de evitar falar com alguém conhecido e, principalmente, desconhecido.

O homem atrás de si colocou-se ao seu lado e afirmou muito seguro de si:

- Tu és ... - perguntou indeciso na sua certeza.

Ela olhou surpreendida para o homem que tão certo lhe conhecia o nome.

- Sim, sou. - ela tinha-o reconhecido.
- Andámos lá em cima no liceu.
- Andámos. - e Lia sorriu ao ver uma cara que já não via há vinte anos.
- Estás na mesma. – disse ele.

Palavras da praxe que se dizem quando o tempo abre a porta e deixa que as pessoas voltem a ver-se. Mas ela acreditou porque até o espelho lhe dizia o mesmo.

Entraram juntos na camioneta. O que fazes? Já casaste? O tempo passa…! Pois é! Nunca mais viste ninguém? Ainda és amiga da Paula? Sim, ainda nos vemos por aí.

- Vou descer aqui. – disse ela – e tu?
- Eu já devia ter descido ali em baixo.
- Oh! E agora? – Ela ficou aflita.
- Há paragens para baixo no outro lado da rua. E também posso ir a pé. – disse ele, rindo.

Desceram da camioneta. Despediram-se. E o tempo voltou a fechar as portas para os dois.
da Leonor

31 Comments:

Anonymous blugaridades said...

Desta vez talvez não se percam de vista por tanto tempo. Com os telemóveis, os emails, o msn podem ter uma segunda oportunidade se, por acaso, houve uma primeira. Na vida, isso raramente acontece mas o destino tece-as sem que delas nos apercebamos.Há que estar atento,para tirar proveito destes momentos que não podem ser tão inutilmente desperdiçados.
Beijinhos

10:30 PM  
Blogger Paula Raposo said...

Conversas que se vão tendo ao longo da vida...bom fim de semana, beijinhos.

8:54 AM  
Blogger António said...

Querida Leonor!
Este post tem o mesmo título do anterior.
Foi por acaso ou de propósito?
Contaste aqui, à tua maneira (boa maneira), mais um fragmento (auto biográfico?) da vida.
Um reencontro e um adeus em simultâneo.
São giros os reencontros; inconsequentes, quasi sempre.
Até qualquer dia!
Conforme se vai envelhecendo isso pode querer dizer:
Até nunca mais!

Beijinhos

9:30 AM  
Blogger António said...

Querida Leonor!
Este post tem o mesmo título do anterior.
Foi por acaso ou de propósito?
Contaste aqui, à tua maneira (boa maneira), mais um fragmento (auto biográfico?) da vida.
Um reencontro e um adeus em simultâneo.
São giros os reencontros; inconsequentes, quasi sempre.
Até qualquer dia!
Conforme se vai envelhecendo isso pode querer dizer:
Até nunca mais!

Beijinhos

9:30 AM  
Anonymous Anonymous said...

Amargura. Amargura que dói, como quando se sente, que a despeito da dor lá ter estado desde não sabemos quando, ela nos seus aparecimentos fugazes, nos lembra que existe. A amargura destes reencontros, nunca é a percepção do tempo no espelho de casa. É-o , no espelho da vida. É o súbito disparar do tempo todo que passou, assim sorvido num gole único. É a interminável procissão, dos sonhos e anseios que se perderam pelo caminho.
Ah! Quantas vezes o rosto do encontrado, não resiste à dor da viagem. Por isso, como é incomodativo perceber, que ele até já podia ter saído na paragem “certinha”…

11:23 AM  
Anonymous JMC said...

Penso, pelo que posso deduzir da sua escrita, que provavelmente estes dois foram algo mais do que conhecidos, daí o destanciamento na proximidade, gostei e acho que se por acaso é ficção, pode e deve ter continuídade.

Bom fim de semana.

JMC

2:37 PM  
Anonymous JMC said...

Queria dizer (distânciamento)

JMC

2:38 PM  
Blogger Leonoretta said...

PARA ANONIMO

os seus comentários, por demais apreciados, são aquilo a que se chama na linguagem popular "curto e grosso". É que, há palavras que depois de escritas só podem ser lidas de uma dada maneira, não falemos de empatia ou de literalidade, assuntos batidos da crítica literária.
E depois... o comentário que se segue é apenas um.

abraço da leonoreta

2:47 PM  
Blogger Leonoretta said...

PARA JMC

pensei pelas suas ausências, depois de tantas presenças, que tivesse dito adeus.
fico contente por ter de novo o seu comentário.

a história bem poderá continuar, ficção ou realidade, é uma narrativa aberta...

mas trata-se de fragmentos.

abraço da leonoreta

2:48 PM  
Blogger António said...

Olá!
O meu comentário está repetido.
Dantes podia eliminar um deles, mas agora não estou a conseguir.

Beijinhos

3:09 PM  
Blogger Menina_marota said...

Um encontro de duas pessoas que já nada teem a ver um com o outro. Diria mesmo o encontro do desalento.

Gostei do teu texto anterior, tão diferente deste, mas que afinal segue uma mesma linha...

E tal como lá te digo, a Amizade não tem rugas, quando é verdadeira.
O passar dos anos, a ausência, nota-se na alegria do olhar, quando ela está patente...

Um abraço carinhoso e bom fim de semana ;)

4:36 PM  
Blogger AS said...

Leonor,
Que ciência é essa,
que estranha alquimia
transforma a luz de uma vela
num puro relâmpago?


Um abraço!

6:16 PM  
Blogger Betty Branco Martins said...

Querida Leonor

Penso que é sempre muito agradavel quando as portas do tempo se "abrem" e quase como um passo de mágica se tratasse - tudo volta por instantes - ao momento - que já se viveu

Aqui na tua história que "contas" sempre de uma forma tão especial - abriste a porta e tiveste o cuidado de a fechar - provavelmente - porque o tempo assim o exigia.

Beijinhos com muito carinho
BomFsemana

8:27 PM  
Blogger António said...

Oh Leonor, minha marota!
Então já começas a descobrir os meus finais antes de lá chegares?
Tenho de me esmerar e dissimulá-los ainda mais.
Acho que vou comprar tecido de camuflado.
Enfim...obrigado pelo teu comentário no meu post do menino Afonsinho.

Beijinhos

9:40 PM  
Blogger augustoM said...

Janelas que o tempo abre e volta a fechar, e ficamos com sensação de o tempo por um momento parou.
Um beijo. Augusto

10:00 PM  
Blogger Mocho Falante said...

Sabes...acontece-me por vezes esta situação que descreves e depois fico a pensar porque não troco o contacto para mais tarde poder rever a personagem que não via há tanto tempo...quer às vezes também confesso que prefiro pensar que revi tal pessoa mas é raro

beijocas

10:30 PM  
Blogger O Micróbio II said...

Instantâneos que sabem bem... apesar de fugazes!

12:46 PM  
Anonymous lena said...

Leonor, doce menina,

primeiro porque gosto de te ler, depois porque escreves com um toque tão especial e bem escrito

agora quanto aos "fragmentos"

uma porta que se abre,
num determinado momento, em que salta a química do passado,
um toque, um olhar, uma maneira de andar,
tantos aspectos que nos transferem o passado para o presente.

dá-se o "clique" esse foi o momento e que tu tão bem conseguíste gerir.

dobrasse a folha e vem a lembrança, como se era e como se é, onde "anda o ou a", as perguntas do costume,
o deixar conduzir o "barco"
ir navegando no reencontro,
deixar que flua e repentinamente a despedida

fechasse o livro!

é essa a teia da vida!

os afazeres ou o não sabermos apanhar o momento da oportunidade.

como sempre disse adoro ler-te, uma vez mais a realidade aqui presente

o meu abraço, cheio de carinho, bela e doce Leonor

beijinhos muitos, pois consegues sempre encantar-me

lena

12:58 PM  
Blogger LUA DE LOBOS said...

é a porta que se abre, deixa algo luminoso a pairar e depois se fecha...como eu gostei de te ler
xi
maria

5:54 PM  
Blogger Movimento em Defesa do Rio Tinto said...

Para que se abra mais uma porta para a divulgação do muito trabalho válido que os professores desenvolvem junto dos alunos, na área da preservação do ambiente, vimos oferecer o nosso espaço, para a eventual publicação de material (textos, imagens, ...) que nos queiram enviar, através do endereço electrónico que temos visível no nosso blog.
Somos um movimento que luta para salvar um rio que tem sido alvo de inqualificáveis atentados.

7:36 PM  
Blogger Arte por um Canudo 2 (No Sapo) said...

Impressionante!..relatos que nos deixam nostalgia.Parecem que entram nas nossas emoções e sentimo-los como se fossem nossos.Conversas da vida que o tempo ultrapassou..Bjs

11:32 PM  
Anonymous Anonymous said...

E o tempo fechou uma porta - há tantos anos - que não consigo abrir de modo algum.
BOA SEMANA, LEONOR

10:14 AM  
Anonymous Anonymous said...

Olá, Leonor!
Pois é, a vida proporciona por vezes momentos fugazes que se tornam pontes de duas fronteiras separadas pelo tempo.
Que tenhas um lindo carnaval, amiga Leonor!

Bjs

11:33 AM  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Leonor
às vezes imagino como seria a vida se anos atrás tivesse tomado uma decisão diferente em algo fundamental.
Um beijo
Daniel

10:40 PM  
Anonymous Anonymous said...

pelo menos esta casa tem sempre as portas abertas. falaram-me em si. muito bem. uma menina marota. sabe quem é? disse que é uma simpatia. eu não duvido. vim cumprimentá-la. há muito que não a visitava. oxalá esteja tudo bem consigo. beijinho grande.

11:34 AM  
Blogger aldina said...

Por vezes, um reencontro é apenas um desencontro repetido!

Até sempre!

6:40 PM  
Anonymous Anonymous said...

NSU - 4efer, 5210 - rulez

8:33 AM  
Anonymous Ana Joana said...

Olá Leonoretta,

Estes acasos levam a que se viaje até à data da "partida" e se conjecture sobre o que teria sido se......

rssss pois, se.... se a minha avó tivesse rodas era uma trotinete! essa é que é essa.

Beijinhos
Ana Joana

10:27 PM  
Blogger VOYEUR DE BLOGS said...

Tem piada. A maioria dos contactos semelhantes que me acontecem, levam-me a pensar exectamente o mesmo. Estás na mesma! Mas afinal são mesmo a mesmissima pessoa. Ás vezes à assuntos que ficaram por resolver, à até laços que não se quebraram. Outras vezes afinal à um enorme vazio, apesar de estarmos na mesma.

11:09 AM  
Blogger VOYEUR DE BLOGS said...

há em vez de à...
é que a Lenoretta é muito exigente, e muito bem.

11:11 AM  
Anonymous SilenceBox said...

O reencontro entre colegas que há muito não se viam! Por vezes é emocionante (porque faz-nos lembrar do passado, dos nossos tempos de escola e de outros colegas) e outras vezes um desconforto (porque já não somos as mesmas pessoas que fomos enquanto adolescentes)...
Estou a gostar dos teus fragmentos! ;-)
Beijinhos,
SilenceBox

12:53 PM  

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