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Mínimo sou, mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade, o Nada é só o Resto. Reinaldo Ferreira

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Dizem que sou como o sol mas com nuvens como na Cornualha

Friday, December 08, 2006

A rã gorda

Meu Deus… as coisas que eu tenho aprendido.

Também posso dizer isto de outra maneira: meu Deus… as coisas que eu não sabia.

Numa cadeira que fala de textos e tudo o que anda à volta deles, inclusivé, leitores, fiquei a saber que um autor africano traduz à letra a gramática de uma das culturas bantu. E seja lá o que for que pertença a uma língua, não se traduz à letra mas no contexto semântico.

Por exemplo:

A rã gorda faz a manteiga do dia.

Ora isto assim, não se percebe nada. Mas, se desmistificarmos a frase, interpretando-a, será mais ou menos isto: quando chove, a rã bebe água e incha. Fica gorda. E se as rãs estão gordas foi porque choveu. E se choveu, a erva cresce e a vaca come para dar leite e manteiga que se comem todos os dias na tribo.

Outra coisa interessante é a língua clique, de estalidos, falada pelos busquimanes. Mas nisto não me meto porque… meu deus… as coisas que eu ainda não sei.

da Leonor

28 Comments:

Anonymous Anonymous said...

É! Morre-se na descoberta da ignorância (desconhecimento) para o sempre.
Mas, (e bem se pode apelar a indignação da surpresa ao altíssimo (para uns mais, para outros menos) de cada um), realmente de arrepiar, é a percepção, de que a vida do dia a dia, é feita da tradução à letra da gramática dos gestos, das palavras, dos olhares, dos silêncios, das ausências, dos entusiasmos, das fomes e das sedes. Essa tradução à letrinha, banal, corriqueira, repetitiva, diária(zinha), baixota, rasteira, que sistematicamente ignora, que rãs gordas rimam com pão com manteiga, toalhas brancas de linho, e olhares sonhadores sobre horizontes de mar azul.
E para isso, (Ó Leonor) não precisamos de agitar os busquimanes. Basta ser inquieta, e estupidamente teimosa....

(Maravilhoso.)

1:06 PM  
Blogger Arte por um Canudo 2 (No Sapo) said...

É mesmo um enigma.Mas deve ser interessante e motivante saber essas coisas que parecem esquisitas mas que servem para certas pessoas comunicarem.Pode não ser ao gosto de cada um e também pode não ter utilidade nenhuma, mas mantenho que deve ser intereessante.Bom fim de semana. Bjs

9:48 PM  
Blogger blugaridades said...

As coisas que eu não sei! Li, gostei e deixo-te um beijinho.
Bom fim de semana.

10:23 PM  
Blogger António said...

Querida Leonor!
Hoje vais ter de me explicar se
"A rã gorda faz a manteiga do dia"
é uma charada, uma adivinha, uma metáfora, uma hipérbole...sei lá!
Anda professorinha!
Ensina-me, por favor.

Sabes que passei dois meses em terras dos busquimanes?
Eu bem me esforcei para ouvir os estalinhos deles a falar, mas além de eles serem muito calados eu também sou duro de ouvido...eh eh.
E sabes que eles, que não são negros mas morenos (além dos menos inteligentes e mais feios dentre os africanos), são considerados por alguns antropólogos como os verdadeiros nativos de África, ao passo que os bantos (os que são mesmo negros) terão migrado para lá a partir da península Arábica?
Enfim...depois de todo este arrazoado, só me resta concluir dizendo-te que gostei do teu post.
Gosto sempre (ou quasi sempre), aliás; é por isso que estou sempre aqui caído.
Ahhh...adiantaste-te um dia.

Beijinhos

10:48 PM  
Anonymous JMC said...

É verdade, quanto mais sabemos, menos sabemos, é uma frase do mesmo genero, tem de ser descodificada, para percebermos alguma coisa.
Quanto aos Busquimanes, se não viu, deve ver o filme 'Os Deuses devem estar loucos', onde essa 'Tribo?', tem grande participação.

Bom fim de semana.

JMC

1:36 PM  
Blogger António said...

Querida Leonor!
Agora é o momento de te agradecer o comentário ao meu post do "Antoninho".
Não! A cor do Volvo não era "bordeau". Era um vermelho escuro, mas também não era "grenat". Era mais um vermelho sangue, daquele mais escuro...
Enfim...esquece!
Só nos anos 60 é que rebentou o surto de férias no Algarve. Nos anos 50 o maior atractivo eram as amendoeiras em flor. Se me perguntares porque as praias algarvias eram pouco populares, não te sei dizer. Seria por falta de vias de acesso? Talvez os teus antepassados saibam...

Beijinhos

2:10 PM  
Blogger viajante said...

Todos nós temos tanta coisa que não sabemos... E por isso vamos aprendendo e partilhando.
Um bom fim de semana, Leonor.

2:22 PM  
Blogger Leonoretta said...

PARA ANONIMO

sou inquieta, teimosa... e outros tantos adjectivos...

nasci assim? formei-me assim?

a eterna discussão entre locke e kant. felizmente que piaget resolveu o assunto com o construtivismo.

mas numa coisa tem razão: morre-se na descoberta da ignorancia.
todavia, acrescento so mais uma coisinha... quem é consciente porque quem nao é nem se apercebe disso.

leonoreta

4:21 PM  
Blogger Leonoretta said...

PARA JMC

ola JMC.
vi o filme sim senho, na semana em que estreou... ja la vao mais de 20 anos. a seguir vi o outro do mesmo genero , a continuaçao...

quanto á frase creio que se refere a socrates "sei aquilo que nao sei, o que significa, que nao sabemos tudo e o que sabemos sabemos de um modo imcompleto.

mais uma vez obrigado pela sua participaçao sempre conveniente.

abraço da leonoreta

4:43 PM  
Blogger Paula Raposo said...

Excelente!! O que não sabemos e o que aprendemos. Um facto é, que tenho aprendido bastante ao ler-te. Adoro esta música que tens neste momento!! Beijos!!

8:12 PM  
Anonymous Anonymous said...

Hello

9:31 PM  
Blogger Velutha said...

Passei pelo teu canto e, meu Deus, as coisas que eu não sei. São muitas, mesmo. Obrigada por me teres ensinado estas.
Beijos

11:13 PM  
Blogger Dumb said...

É fantástico ver como em todo o lado muda muita coisa, mas no fundo tudo é igual. Um provérbio no meio de Àfrica que podia ser nosso...

12:25 AM  
Blogger augustoM said...

Maneira inteligente de falar, sobretudo quando o que se diz é proibido de dizer.
A derivação lógica da dependência dos significados, pode ter sempre mais de uma interpretação, o que facilita dizer sem o risco de punição. Linguagem perfeita para tempos de ditadura. Quanto aos busquimanes com os seus cliques, é mais difícil de adoptar, pois teríamos de aprender o código de Morse.
Um beijo. Augusto

10:09 AM  
Anonymous Ana Joana said...

Olá Leonoretta,


Já pensaste que com tanta tanta coisa interessante que temos para aprender, tanta que muitas vidas não esgotam, ainda há tanta tanta gente que vive desencantada por não encontrar interesse algum na vida? Tudo o que existe os enfastia?!!! Tanto desperdicio!

O que gostei da história da Rã gorda!

E quanto à lingua clique de estalidos, fiquei a pensar num trabalho que fiz na universidade, sobre a genese da leitura e da escrita, (contributo para a tese de doutoramento da minha professora de psicologia da linguagem), trabalho esse que me fascinou e que reportanto para este código de comunicação, exigiria certamente outras hipóteses para outras conclusões rssssss. Como se traduzirá em escrita??

Bom e rico fim de semana

Beijinhos
Ana Joana

1:21 PM  
Blogger Leonoretta said...

PARA ANA JOANA

bom. isso dos trabalhos servirem para futuros trabalhos dos professores é mesmo assim. no renascimento isso seria visto como uma honra, rsssss, Ana Joana, porque quem imitava ou se apropriava da poesia de outro, o outro ficava honrado.

quanto aos cliques... sei que neste momento dois teoricos da lingua alemaes a estudarem o caso para fazerem dos estalidos orais estalidos graficos.

beijinhos da leonoretta

8:19 PM  
Blogger delfim peixoto said...

Pois, aprender a viver, viver a aprender!
jnhs e o que me custou redescobrir-te!!!

10:17 PM  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Leonor
Olha que os teus textos são às vezes de estalo! :)
Um beijo
Daniel

11:30 PM  
Blogger MT said...

Aprendo sempre qualquer coisa sempre que aqui venho.

Beijinhos

6:27 AM  
Blogger aldina said...

Que bom aprender consigo mais uma squantas coisas que me fizeram sorrir e pensar naturalmente. A ideia do tradutor literal é espantosa quando decifarda pela Leonor, parece um jogo entre a imaginação declarada e a realidade dissimulada!

Até sempre!

9:07 PM  
Anonymous Mikas said...

Hehe aprende-se coisas mesmo engraçadas, às vezes de ficar de boca aberta.

12:04 PM  
Anonymous ferrus said...

A lingua bosquimane é por demais complexa, dado que alia estalidos a palavras o que faz dela uma "linguagem" fora do comum. Sempre a achei deliciosa: não sei se pela invulgaridade, se pela antiguidade ou pelas duas... O contexto dá-nos outra idéia do que se diz, como disseste e sim, no seu todo a frase da rã faz todo o sentido. Beijinhos e boa aprendizagem, Leonor

3:00 PM  
Blogger Paulo Sempre said...

Coisas que eu não sabia:
O porco/javali foi um animal sagrado para algumas tribos da Síria, vizinhos da Palestina; era o totem do povo de Edom, ou edomitas, descendentes de Isaú " caçador e amante das estepes" segundo a Bíblia, isto é, nómada, o qual vendeu por um prado de lentilhas os seus direitos ancestrais ao seu irmão Jacob "pastor pacato" (sedentário) donde descedem os hebreus.

Paulo

11:11 PM  
Anonymous Anonymous said...

Olá,Leonor!
O contexto tem sempre uma importancia vital em qualquer cultura!
Texto interessante, sem dúvida!

Bjs

11:25 PM  
Blogger Professorinha said...

Bem, lendo a frase nunca adivinharia a sua explicação. Sempre a aprender, digo eu, com alunos e tudo :)

11:41 PM  
Blogger batista filho said...

atrasado, mas chego sempre, percebes? rss!

é interessante chegar a um sítio, quando um post novo é que chama a atenção... bem, não estou aqui atrás do jornal do dia, não é mesmo? rss! - estou é atrás dos escritos de uma das pessoas que mais gosto na blogosfera - tu, Leonor! - então, tanto faz se chego tarde ou cedo: o prazer que me tua leitura me propicia é que importa. essa rãzinha... valeu!!!

deixo o meu abraço fraterno, extensivo aos teus familiares.

Feliz Natal, Amiga!

2:08 PM  
Blogger APC said...

Eheheheheh... Tive um contacto com algumas tradições Bantu e certas características de alguns povos bosquímanes, e outros tribais que tais, nas várias Antropologias que frequentei. Todavia, sempre coisinha muito pela rama, para a riqueza que existe por detrás de cada cultura.
Agora... Tu estás a abordá-los de um ponto de vista da Antropologia Cultural ou da Semiótica? É que me pareceu que que a coisa surgiu assim mais por via da análise de significado das formas de comunicação, será? Se sim, que máximo. Mas, de uma forma ou de outra, deve ser interessantíssimo, e eu tarava assistir!
E, sabes que mais?... Acho que também me vou lançar num novo desafio académico... Uma loucura, claro.
Adorei o post!
Boa sorte para ti! :-)

8:01 PM  
Blogger silencebox said...

Um texto tão interessante que me deu imenso prazer de o ler pois fiquei a saber mais.
É tão bom estar-se sempre a aprender! ;-)

10:44 PM  

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