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Mínimo sou, mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade, o Nada é só o Resto. Reinaldo Ferreira

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Dizem que sou como o sol mas com nuvens como na Cornualha

Saturday, October 15, 2005

Trabalhos de casa

Abro a porta da rua e sou apanhada pelo nevoeiro. Estamos em meados de Outubro mas aqui no Minho o nevoeiro é frequente logo pela manhã.

Aponto o comando para o meu Fiat Uno velho de tinta a cair aos bocados. Apesar do seu aspecto zombi cumpre a sua função, levando-me fielmente de casa para o trabalho e fazendo depois o percurso inverso.

Entro no carro. Dou à ignição. Acendo as luzes. Já na auto estrada atento às setas que me indicam a cidade do Porto. A determinada altura viro para Esposende. Passo a ponte velha de Fão. A trepidação provocada pelas suas frequentes lombas desmancha-me sempre a posição do retrovisor.

Antes do cemitério pleno de jazigos austeros viro para uma estrada única com casas de um lado e do outro, caixas de fósforos quase sempre de uma porta e duas janelas. Reduzo o andamento para não chocar com nenhuma bicicleta ou motoreta que surge repentina de caminhos paralelos. Ultrapasso o tractor do José Manuel. É a mãe que o transporta todos os dias de manhã para a escola indo de seguida para o campo.

Chego à escola. O cheiro a estrume dos campos cultivados invade o ar. Vejo o Marco António na sua bicicleta , carregando sempre um pendura com ele. Cabeça no ar. Bom coração. Conquistas os teus amigos com as boleias. Apesar dos valentes castigos traduzidos em tabuadas a multiplicar pelo número de vezes da minha vontade caprichosa de professora pode tudo, dizes-me sempre “bom dia professôara” com o melhor sorriso do mundo. Sua cabeça de vento. Fizeste o trabalho? Fiz sim, professôara.

Tenho andado sempre pelos bairros economica e socialmente carenciados de Lisboa. Pretos e ciganos na sua maioria. È a segunda vez que tenho uma turma só de miúdos brancos, de primeiro e de terceiro anos limpos sem osso, sem repetências.

Pelas nove horas em ponto os miúdos formam fila à porta da sala, esperando a minha ordem para entrar. E começa o dia: chamada, data no quadro, abrir cadernos para ver quem fez o dever de casa.

Passo nas primeiras mesas. Marco vistos a vermelho, contrariando as psicologias de alguns pedagogos que dizem que a referida cor desmotiva a aprendizagem dos petizes, traumatizando-os para toda a vida. Chego à vez da miuda de tranças que herdou o nome da avó materna: Modesta

- Professôara… num fiz os debiêres, doía-me a barriga.
- E agora dói-te?
- Nãoe. Já passoue.
- Então fazes no intervalo.

Modesta e os outros espantam-se pela ineficácia da desculpa, percebendo que rapidamente terão de arranjar outras. Filipe também não fez os trabalhos.

- Porque não fizeste?
- Fui ajudar a minha ábó a cortar milho para as bacas. Num consegui fazer. - A terminação “er” enche-lhe a cavidade bucal.

Fico num dilema. Privar a Modesta do intervalo pela desculpa esfarrapada e não privar o Filipe pela ajuda prestada… bom! Penso com os meus botões, por hoje o castigo mantém-se, é a minha malvada dignidade que está em jogo, amanhã não usarei o intervalo como punição se tiver de punir.

Tenho andado sempre por Lisboa, em bairros carenciados económica e socialmente, de brancos, pretos e ciganos, que não gostam e nem entendem a escola, que se desculpam com dores de barriga para fugirem aos deveres escolares. Mas o Filipe, a Jéssica, e outras tantas crianças da minha classe de oito anos de idade já conhecem a responsabilidade de ajudar a família no campo para garantir o sustento do clã.
Muitas delas não irão longe nos estudos por falta de incentivo dos parentes para quem escrever o nome e fazer contas com "e vai um" é quanto basta para não se enganar nos trocos da mercearia. Não obstante, quando chegarem à idade de dezasseis anos já conhecem o mundo do trabalho, enquanto que os meninos de Lisboa conhecem o roubo.

Fiquei envergonhada.
da Leonor

45 Comments:

Blogger José Gomes said...

Ahhh! Cá temos a nossa "velha" Leonor a contar as suas aventuras por terras dos celtas!
Vai-te habituando à pronúncia, orifessora.
Vai.te habituando aos garotos.
Vai-te habituando, amiga, a ser aquela professora que sempre gostei, porque fazes a diferença.
É bom estar aqui de novo.
Um abraço.

11:49 PM  
Anonymous Anonymous said...

Olá, Leonor!
Que bom ler os teus textos!
Delicio-me sempre quando venho fazer-te uma visitinha.´
Tenho a impressão que escreveria francamente melhor, se tivesse "apanhado" uma professora como tu, Leonor!
Como diz o tema dos GNR," é a pronuncia do norte"! São pessoas trabalhadoras e com grande coração!
Um abraço,

12:04 AM  
Anonymous Anonymous said...

Olá Bela Leonoretta!
Lindo texto como sempre. Mas mais do que a beleza do texto, encanta-me a beleza do conteúdo. Como é fascinante descobrir a diversidade de realidades de vida. Deixarmo-nos surpreender e emocionar com cada uma delas. E perceber que aquilo que tomamos por certezas afinal não é mais do que mais uma forma de se viver.Assim vamos crescendo a cada dia e vamos percebendo que é nesta diversidade que encontramos a perfeição.Assim vamos aperfeiçoando a nossa qualidade de gente. Beijinhos
Ana Joana

2:18 PM  
Anonymous JMC said...

Pois é, sabemos e conhecemos que existem diferenças, mas elas só tem para nós a verdadeira dimensão quando as vivemos sentimos e partilhamos, gostei muito deste texto e da musica que a acompanha, o autor diz-me muito.
Bom fim de semana.
JMC

4:12 PM  
Blogger Furão said...

Vão-te tirando, de mansinho, a possibilidade de comprares um carro novo, mas os bocados de tinta que vão caindo são folhas de calendário e de experiência feita. Essa ninguém ta tirará. A lição que partilhaste connosco foi uma lição da qual tu foste a maior beneficiária e aluna brilhante. Pela partilha, também vamos enriquecendo aos poucos.

Obrigado

4:55 PM  
Anonymous mar said...

Não fiques envergonhada, pq as crianças entendem as coisas melhor q os adutos, e se tu os castigas por amor, tem a certeza q eles vão entender isso, e gostar cada vez mais de ti, exactamente por seres capaz de castigar agora e mais seres capaz de dar um afago.
E vais ver q as crianças "celtas", são espectacularesssss :)
Um beijo

5:04 PM  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Leonor
Bem, agora conheces melhor o Portugal profundo e rural e vais, com certeza, arranjar forma de levares os teus meninos pelos caminhos da aprendizagem. Mas mantém essa exigência que te caracteriza, para que eles não utilizem a vida como desculpa para não serem exigentes consigo próprios. Foi desses meios, em tempos ainda mais difíceis, que surgiram grandes nomes da cultura e da ciência no nosso país. Uma explicação é que tiveram a sorte de ter um(a) professor(a) que lhes exigiu mais, que os responsabilizou. E isso fica marcado na sua educação para toda a vida. E, quando se lembram desses tempos, agradecem sempre ter encontrado quem os tivesse motivado mas, simultaneamente, obrigado a fazer mais e melhor, porque todos conseguem, trabalhando mais, é certo, mas retirando daí recompensas que não estão ao alcance dos meninos urbanos da periferia abandonada.
Um beijo
Daniel

5:07 PM  
Blogger António said...

Querida amiga!
Que post magnífico!
Deliciei-me com o teu estilo "livre" e com a descrição sucinta mas perfeita do ambiente da escola e da sociedade em que está inserida.
Eu conheço bem, desde criança, o Minho litoral e as suas gentes.
(além de ter uma costela minhota)
Sei avaliar bem este trabalho.

Obrigado pela visita ao meu blog.
Não é preciso dizer-te para voltares porque eu sei que lá estarás a cada capítulo.

Beijinhos

5:09 PM  
Blogger Henrique Santos said...

Olá Bela,
Um texto de tamanha carga emocional, límpido, que nos transporta para um mundo que não conhecemos... Ele existe e até está ao nosso alcance, mas não vemos... Em 2005, na Europa, faz-nos pensar no que fizemos para melhorar a vida do nosso Povo, o autêntico? Seja na cidade ou no campo, seja a roubar ou a ajudar no campo, o que fizemos pelas nossas crianças? Temos sido incompetentes na nossa função? Que bela experiência... Estou comovido, as tuas palavras ainda que suaves, e escolhidas por quem sabe da poda, ainda me martelam o entendimento, e os meus olhos, choramigaram...
Obrigada, Ricky

5:13 PM  
Blogger Miguel Sousa said...

lindo...quando dei aulas no Porto Moniz, na minha saudosa ilha da Madeira, parei várias vezes a aula para ir com os alunos ver as famílias de baleias e cachalotes que passavam perto daquele "campo" polivalente...há coisas impagáveis...

6:04 PM  
Blogger Betty Branco Martins said...

Querida Leonor

Adorei aquele “toque” do norte (Professôara… num fiz os debiêres)

Não tens que te sentir mal pelo “castigo” tens mesmo que aplicar a disciplina, para o bem dessas crianças. E tenho a certeza que elas entendem, (podem não gostar no momento) que o fazes de uma forma preocupada e carinhosa.

Beijinhos

8:54 PM  
Blogger Mocho Falante said...

Nem imaginas como gostei deste teu post. Estava eu aqui confortavelmente sentado no meu lar e a pensar como nos queixamos de barriga cheia....

De facto as lições de vida que aprendemos dos mais simples são de facto as lições mais duradouras que ficam

9:04 PM  
Anonymous Luisinha said...

Adorei os diálogos dos teus alunos. Deve ser muito estimulante para quem gosta de ensinar, passar por essas experiências.
Eu é mais Ponto Cruz... Dá um saltinho ao meu novo site e deixa uma assinatura no livro de visitas.
Beijocas
Luisinha

10:15 PM  
Blogger Dumb said...

Apesar de todo o transtorno que tiveste por te mudares da capital para o portugal "profundo", se calhar vai fazer-te bem ver que nem toda a gente vê o mundo da mesma forma...

E não precisas de ter vergonha. Só tens que te adaptar à realidade nova.

Boa Sorte

10:40 PM  
Anonymous Colibri said...

Vim aqui desejar-te uma boa semana de aulas.
E que aprendas tanto com os teus meninos, como eles aprendem contigo...

P.s- Não fiz os deveres de casa, faço no intervalo, sim?

12:35 AM  
Anonymous batista filho said...

Dia após dia, todos os dias, aprendendo e ensinando; se alegrando com as pequenas vitórias, tuas e deles; se entristecendo, por vezes, quando percebes que a maioria absoluta dos teus alunos pobres continuarão pobres e os filhos deles também - com iguais ou maiores dificuldades que os próprios pais, porque os responsáveis pela pobreza se reciclam, mas não abrem mão do egoísmo. Sem ti, porém, e outras pessoas semelhantes, a situação estaria muito muito pior! Contigo, porém, e outras pessoas semelhantes - a Esperança numa sociedade justa e fraterna se mantém. Que seja uma luzinha bruxuleante, por vezes, é o quanto basta para que um barco não soçobre no mar da descrença, e com ele, muitas vidas.
Um abraço solidário, amiga-irmã.

1:02 AM  
Blogger Apenas, o cidadão said...

belo texto. já pensou escrever algum livro?

não tenha vergonha. eu não vejo razões para tal.

A Modesta, a Jéssica e o Filipe têm a sorte (ou o merecimento) de te-la como professora.

10:34 AM  
Blogger Menina_marota said...

Não te envergonhes, Leonor.

Porque tu disseste uma verdade enorme:

- "quando chegarem à idade de dezasseis anos já conhecem o mundo do trabalho, enquanto que os meninos de Lisboa conhecem o roubo."

Não vou, nem quero aqui atribuir culpas a ninguém.

Mas o facto é que a nossa Sociedade, está cada vez mais num caminho errado, em relação aos jovens actuais.

E, a verdade é que hoje em dia é quase uma ideia permanente, de que a juventude não pode trabalhar. Ou antes, que ajudar os familiares, nas lides domésticas ou no campo, é mau.

E, recordo-me de uma notícia numa estação qualquer, sobre um miudinho de uma aldeia, que não conhecia, nem tinha nada que os meninos da cidade tinham.

Ficou-me na memória a primeira vez que o vi na Televisão.

Olhar brilhante (até matreiro, feliz, nos seus verdes anos. Transparecia uma alegria genuína. Diria até uma felicidade no seu olhar.

Ele desconhecia o mundo que lhe apresentavam.
Ele desconhecia as necessidades, que lhe apontavam.

Era feliz, com o pouco que tinha (e, se calhar para ele, era muito)

A vida dele deu uma volta. Levaram-no a conhecer, um mundo que ele desconhecia, completamente ignorado, nos seus sonhos e pensamentos.

Mais tarde, a última reportagem que vi, apareceu-me um menino triste de olhar. Pensativo...

E, eu fiquei triste! E pensativa!

Quem devolverá a alegria, a inocência àquele olhar?

Que caminhos percorrerá para conseguir um pouco daquilo que viu, e não poderá ter mais?

Que raiva obscura irá albergar o seu coração, quando se aperceber, que aquele foi um sonho que viveu, mas que se calhar nunca mais irá atingir?

Ainda hoje, recordo e penso nesse menino.

Será legítimo e moral, aquilo que fizeram àquela criança?

Não seria ele muito mais feliz como estava, crescendo com as suas próprias limitações, vivendo os seus próprios sonhos, crescendo e fortificando a sua própria personalidade, com base naquilo que podia efectivamente conquistar, do que viver o sonho dos outros?

É uma pergunta que faço a mim própria muitas vezes.

Desculpa a ousadia da extensão deste comentário: mas a profundidade do teu texto, levou-me a escrever o que pensava.

Um abraço carinhoso e continuação do teu belo trabalho ;)

12:34 PM  
Blogger almaqueabsorveaslagrimas said...

Minha querida Leonor,
Gostei do que relatas.te. Na realidade o que disseste sobre aqueles que fazem 16 anos e entram directamente no mundo do trabalho tb acontece muito aqui. Vejo pessoas com o gosto de ser mais e melhor mas a responsabilidade de arranjar dinheiro para casa é coisa que posso dizer que tenho muita sorte pelos meus pais me darem a oportunidade de estudar e tirar um curso e darem-me o direito a escolher. é os grandes contrastes que existem na nossa sociedade :)

beijinho gande para ti e uma boa semana *****

12:59 PM  
Blogger augustoM said...

Olá Leonor, então por terras do norte, carago, o cheiro a estrume fumegante, é o perfume envolvente que matiza o ambiente. O que te safa é haver a via rápida, porque antigamente viajar pelas estradas secundárias no meio de dezenas e dezenas de camiões era obra. Estás a gostar de estar aí? Eu gosto muito de toda a Costa Verde, não me importava nada de viver na Povoa, na marginal claro, de frente para o mar.
Mas Povoa à parte, adora a parte rural, onde ainda o boi é rei. E a broa? os rojões? as papas de sarrabulho, as tripas enfarinhadas? e a pinga verde?Qunado ando por essas bandas perco-me sempre.
Cuida bem desses meninos, que como dizes não como os de Lisboa, para eles a escola é o interválo do trabalho.
O Jantar no sábado passado foi o máximo, apareceu gente giríssima com muito interesse. Não houve versos nem teatro, mas muita conversa, acabou às 4 horas da manhã. Aponta na tua agenda que o próximo será dia 21 de Janeiro, se te for possível, era um grande prazer ter-te lá.
Um beijo. Augusto

2:03 PM  
Blogger Isabel-F. said...

Querida Leonor....

Adorei este teu Post...
e esta tua partilha de experiências...

beijos

3:52 PM  
Blogger AS said...

Querida Leonor
Como conheço bem essa realidade!
És uma pessoa admirável... abraço-te

4:47 PM  
Blogger silencebox said...

Mais um texto que me comoveu. És realmente uma professora admirável!

Um grande abraço! =)*

7:09 PM  
Anonymous Ze said...

Não foste ao jantar mas tive noticias. Uma amiga do Minho diz que estás bem, em Fão. Certo ?
Um abraço

7:19 PM  
Anonymous Ze said...

Vergonha deviam ter todos aqueles que criaram situações como as da tua escola. Benditos meninos da aldeia.

7:24 PM  
Blogger Vagabundo said...

São as lições disto a que chamamos Vida e que eu chamo Fuga.
Mantem-te nessa Fuga, nada de coisas como teres Vergonha, porque a Fuga do amanhã será compensadora.

Bj Vagabundo

8:31 PM  
Anonymous VP said...

Uns se fazem adultos em criança. Outros, crianças mesmo adultos.
Uns chegam aos 17 anos e são mestres na profissão, outros são mestres no roubo e nas prisões.
A uns é dito que a criancisse foi negada e que trabalhar tão cedo é crime.
Não será crime ter negado aos segundos a possibilidade dos primeiros?
Sorte daqueles que te têm como profesora, sejam eles os primeiros ou os segundos e terão ganho sempre.
Beijos.

VP

9:52 PM  
Anonymous VP said...

Cinco reguadas pelo "profesora", mesmo sabendo que é "professora".

VP

9:54 PM  
Blogger th said...

Tenho lido, já é a 2ª vez que leio, e me enternece. Só posso deixar um beijo e um sorriso, que despontou ao ler-te. th

12:08 AM  
Blogger Leonoretta said...

para Ana Joana

e ainda bem que, modéstia à parte, a vida me bafejou do encanto de me surpreender e aprender e aceitar e admirar.
obeigado pelas tuas palavras sempre bem vindas ao meu espírito


para o JMC

é verdae. só podemos falar das coisas quando inseridos nelas. a percepção da realidade em causa será sempre diferente de quem para quem mas sentimos sempre algo dela.


para o VP

é crime sim nao deixar uma criança sentir a responsabilidade de uma tarefa.
tantos direitos e tantas protecções substimaram a criança na sua maneira de estar no mundo. ha miudos nas grandes cidades que nao sabem pegar numa colher porque nunca a deixaram experimentar. aqui , onde estou os mais velhos ensinam os mais pequenos quando estes ja estao cansados. estou a falar de miudos de cinco e oito anos.


abraço da leonor

10:46 AM  
Blogger Al said...

Olá Leonoretta,
Parabéns! O teu texto, que generosamente partilhas connosco, retrata bem as diferenças culturais, rural e urbana, do nosso país.
Alegra-te por viveres esta experiência magnífica e enriquecedora, como alegres deverão estar os teus alunos pela professora que têm.
Amei este texto revelador da tua enorme sensibilidade.
Não tenhas vergonha, às vezes também tenho vontade de dizer: pare o mundo que eu quero descer!
Mas ele não pára.
Um beijo

10:49 AM  
Anonymous elsanjos@sapo.pt said...

Oi amiga,
Então quando abriste a porta deste de caras com o "naboeiro"?Eh eh eh eh ,esta santa terrinha e assim!
E olha não te "embergonhes" do castigo que aplicas-te aos gaiatos que eles já tão habituados,até a coisas bem mais pesadas...
Gostei muito do passeio matinallll
Um beijo da Elsa

3:48 PM  
Blogger NightWolf said...

Uma realidade muito presente ainda no nosso país, ja tinha saudades destas tuas histórias, beijinhos*

4:59 PM  
Blogger individuo said...

É mesmo, é triste mas é verdade. Nem se lhes dá a oportunidade de mostrarem oseu valor, se continuassem, quem sabe se não iriam longe...
Gostei de te ler. Continua. 8)

8:23 PM  
Blogger Um Olhar Sobre... said...

Poije quando xaires daqui falarás como eles e axim vaise percebendo que a vida para alguns é madrasta mesmo e naturalmente o que por vexes comem ou não comem dá mesmo dôres de barriga a sério.
Gostei da estória e do teu corare.
Abreijos

10:01 PM  
Anonymous Anonymous said...

Leonor!
Só passei por cá para dar-te um beijinho,

11:53 PM  
Blogger Betty Branco Martins said...

Querida Leonor

Passei... para te deixar

Um grande beijo

1:26 AM  
Blogger Isabel-F. said...

passei e deixo-te
um xi-coração

9:52 AM  
Blogger José Gomes said...

Continuo a ler este cantinho, dando toda a força que precisas para enfrentares o vento do Norte.
Mas a terra é linda.
E quando chegares ao fim vais ter saudades.
Um abraço.

5:49 PM  
Blogger SaltaPocinhas said...

é essa a principal diferença: os miudos de aldeia têm OPORTUNIDADE de trabalhar, de dar valor às coisas que têm porque sabem quue o trabalho custa! e eu acho que isso é um benefício e não uma coisa má, como muitos pedagogos acham!

10:50 PM  
Blogger saisminerais said...

Ola Leonor
Ja estava na hora de cá voltar! e que regresso, o que aqui li fez-me estremecer! Não foi de tristeza por tambem eu ser um homem do norte e conhecer a realidade do interior! Tens a sorte de ensinar meninos das terrinhas. Fui um desses meninos que falas! Pena não ter sido teu aluno...Os meus castigos doiam mais! Mas fiz o meu melhor, e tu relembraste aqui o meu passado! Muito obrigado
beijinhos e continua assim. seria caso para dizer que estás na profissão certa, ainda bem que a da policia não te aceitou...

11:41 PM  
Blogger Luh said...

Mais uma vez fizeste-me lembrar quando a minha mãe dava aulas em aldeias esquecidas.

Continua, por favor, a dar esses "castigos", porque assim a tua consciência vai saber que contribuiste para que aprendam mais alguma coisa.
Beijinhos

1:01 PM  
Blogger Roberto Iza Valdes said...

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3:06 AM  
Anonymous Anonymous said...

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Anonymous Anonymous said...

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