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Mínimo sou, mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade, o Nada é só o Resto. Reinaldo Ferreira

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Dizem que sou como o sol mas com nuvens como na Cornualha

Friday, August 26, 2005

Os dias e as noites


Foto de Ana Maria Russo in Mil Imagens



Perguntas-me como são os meus dias.
Eu digo-te.
Digo-te como são os meus dias.
E digo-te como são as minhas noites também.
Porque as noites são tão importantes como os dias.

Os dias são uma coisa comprida, longa, como tu sabes.
Nessas medidas de tempo em que a terra recebe a claridade solar, período que decorre entre o nascer e o pôr do sol, eu digo coisas que nunca sei se ficaram bem ditas e se terei de dizê-las outra vez.

E assim, quando caem as noites, silenciosas, escuras e frias, eu fico cheia de coisas por dizer. Pela calada da noite eu calo o que deixei por dizer. Mas, depois de passar a noite em claro, quando esta termina no início do dia, penso novamente se devo dizer ou não o que não disse.

E será sempre assim, os dias e as noites, incessantemente.


da Leonor

24 Comments:

Blogger Isabel-F. said...

Oi Linda....

Belissimo....belo ....belo...

Adorei... e a parte que mais gostei foi esta:
"E assim, quando caem as noites, silenciosas, escuras e frias, eu fico cheia de coisas por dizer. Pela calada da noite eu calo o que deixei por dizer. Mas, depois de passar a noite em claro, quando esta termina no início do dia, penso novamente se devo dizer ou não o que não disse.
"

Beijinhho

12:24 PM  
Blogger António said...

Querida Leonor!
Já te disseram que
és a mais bela flôr?
De cálice verde e
corola de qualquer côr?

Também tenho direito a tentar fazer poesia...eh eh

Beijinhos

2:19 PM  
Blogger Yardbird said...

Por vezes, tem que se estravazar e dizer aquilo que durante muito tempo se cala, Leonor.
Gostei muito do texto e da música :-)

2:46 PM  
Blogger O Micróbio said...

"Embora não possa haver mais tempo do que o que medeia do nascer ao pôr-do-sol, isso para o Papalagui nunca é o bastante" - in O Papalagui, discursos de tuiavii, chefe de tribo de tiavéa nos mares do sul

3:47 PM  
Blogger AS said...

Quando a noite se torna mais escura
Como tela sombria a negro impressa
Venha o sonho que vier, tem mais altura
A sombra em que às vezes se tropeça

E a sombra teimosa e negra permanece
Tão viva, tão espessa, tão presente
Que o dia que se segue só amanhece
Na medida em que a sombra o consente


Leonor, um beijinho e um bom fim de semana

4:31 PM  
Anonymous Ze said...

Espero que digas agora o que deixaste de dizer. Porque o que tens a dizer importa.
Bj

6:12 PM  
Blogger LEONOR C. said...

...porque é sempre muito mais aquilo que nos fica por dizer...


Li isto algures e gostei.

Bjs.

Leonor

6:28 PM  
Blogger Leonoretta said...

Isa
Há sempre coisas que se dizem a mais e outras de menos, rsss


António
Muito obrigado pelo poema. Gostei.


Yardbird
Obrigado pela visita e pelas palavras. Volta mais vezes.


Carlos
Tambem li o papalagui. Uma grande lição para se viver em paz com a natureza. Mas a minha professora de antropolgia dizia que o discurso era bluf. Que tinha sido inventado pelo o autor. “opiniaes”


Frog
Hoje é o meu dia de sorte. Primeiro o antónio e agora tu. Obrigado. O meu blog fica cada vez mais rico.


Ze (travessa)
Importará sempre… as vezes sim, outras vezes se calhar será melhor não, rsssssssss


Picolita
Mais de metade fica entalado na garganta.


abraço da leonor

7:04 PM  
Blogger fotoaprendiz (M.P.) said...

Lindo o tema do teu "post", Leonor! Linda também a maeira sentida de definires os teus dias e as tuas noites. Queria acrescentar que, por vezes, há dias que são noite e noites que são dia! :) Beijito e BOM fim de semana!

10:42 PM  
Anonymous guevara said...

:)

paro, sento-me, recosto-me, leio, sorrio!

11:29 PM  
Blogger almaqueabsorveaslagrimas said...

Olá Leonor,

Costumava dizer que a noite fala aquilo que a alma e o coração não conseguem dizer pk a luz do dia aquece demais as emoções. :)

Beijo no coração ***

12:05 AM  
Blogger José Gomes said...

Mas o que são os dias sem a claridade da Vida, o abraço de um Amigo, o ouvir chilrear um passarinho...
As noites não são longas nem curtas, apenas o comprimento de um sonho ou o suspiro de uma ilusão.
É assim a minha sexta, já a entrar nun sábado igual a tantos sábados.
Que tenhas um bom fim de semana, Leonor.

12:33 AM  
Blogger Miguel Sousa said...

não sei bem porque mas sempre detestei a noite..talvez porque sempre achei que dormi seria (é) uma perda de tempo....por isso durmo no maximo 4 horas por dia....à parte disso o poema claro, como não podia deixar de ser é muito...sensivel

2:37 AM  
Blogger lazuli said...

que lindo texto, Leonor. És uma mulher espantosa. Beijos da Fernanda

5:39 AM  
Blogger Bárbara Vale-Frias said...

Fizeste-me lembrar um filme francês com a Sophie Morceau (é assim que se escreve?!?!?): Mes Nuits Sont Plus Belles Que Votres Jours (ai, o meu francês...!).

:))

9:31 AM  
Blogger Leonoretta said...

Manuela
Lindas são as tuas palavras. Obrigado. Passei pelo foto aprendiz e as fotos são fabulosas.


Guevara
Gostei de ver-te por aqui. Gosto desse nome, guevara


Raquelinha
… aquece demais as emoções e as palavras entalam-se na garganta. Percebo.


Ze (chuviscos)
“o comprimento de um sonho ou o suspiro de uma ilusão”. Muito bonito.


Miguel
Mas 4 horas é muito pouco... eu divido o dia em três partes: 8 horas para trabalhar, 8 para me divertir e 8 para dormir. Quanto ao poema que não é bem poema, rsssss, obrigado.


Fernanda
Tu é que és uma amiga espantosa.


Cokas
É assim mesmo. O teu francês é óptimo. E vivam os sete anos de francês e de inglês obrigatório de antigamente.


abraço da leonor

11:28 AM  
Anonymous Menina_marota said...

Porque é aquilo que nos sai do fundo da alma, que reflecte todo o nosso ser e a nossa sensibilidade... porque os dias se fazem noite e, a noite, tem um outro acordar... o sol a brilhar e um sorriso para oferecer...

Belo e profundo o teu texto... naveguei nele... e, encontrei-me...

Um abraço terno e bom fim de semana :)

1:01 PM  
Blogger lobices said...

:)**

3:42 PM  
Anonymous Anonymous said...

Leonor!
A vida é uma constante de coisas que se dizem e que ficam por dizer.
É um questionamento permanente, que dá origem a uma reflexão que nos permite por vezes retirar conclusões a respeito de tudo e de nada!
Beijinho,
António

10:45 PM  
Blogger António said...

Já tinha comentado este post.
Venho aqui por outra razão:
Já adivinhaste qual, não foi?
Exactamente.
Estás linda nessa foto.
Linda e sensual.
E, pela segunda vez, pareces a Ava Gardner!
Beijinhos para a minha querida Av...perdão, Leonor!

10:53 PM  
Anonymous Anonymous said...

“E será sempre assim, os dias e as noites, incessantemente.” E será assim que desempenharás o papel que te cabe nesse grande e eterno partilhar que é viver. Será assim que construirás, através do concreto e reconstruirás, através do imaginário, das palavras o teu dia-a-dia, que tão bem divides conosco. Um beijo pleno de amizade e gratidão.

1:14 PM  
Anonymous batista filho said...

Esse "anônimo" aí sou eu, Leonor. Um abra fraterno, para complementar com o beijo pleno de amizade e gratidão.

1:17 PM  
Blogger Menina_marota said...

Rompe a manhã. Há cheiro a rosmaninho,
a lilazes e a rosas, minha amiga
e a terra, respirando de mansinho,
fez abrir um poema em cada linha.

Aqui bem perto canta um passarinho,
e cantará até ao sol se pôr.
Que perfume tão doce neste caminho,
que alegria e que luz sarando a dor!

Os teus olhos cheios de beleza
fizeram esta manhã maravilhosa,
que enche tudo de luz e tudo encanta...

E chego a crer que a própria natureza,
fez abrir nos teus lábios uma rosa,
e te colocou música na garganta.



Um abraço, que todos os teus dias e noites, sejam muito felizes...

;)

12:19 PM  
Anonymous Anonymous said...

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7:08 AM  

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