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Mínimo sou, mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade, o Nada é só o Resto. Reinaldo Ferreira

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Dizem que sou como o sol mas com nuvens como na Cornualha

Saturday, September 16, 2006

Sai um bitoque

Hoje venho falar de colocações administrativas. E de QZP’s. Amanhã, provavelmente, falarei da primeira vez que estrelei um ovo, e tal variante de assunto justifica o título do meu blog, pensado demoradamente (durante duas horas mais ou menos) tendo em conta o fio orientador a que me propunha passear na blogosfera.

Mas para explicar o que é uma colocação administrativa deixem-me dizer primeiro o que é um QZP. O ministério da educação dividiu o território português em várias zonas pedagógicas (QZP). Cada zona pedagógica abrange quatro ou cinco concelhos circundantes. Cada zona pedagógica tem um número. Lisboa é o 11. Este ano vinculei no QZP 11. Enquanto não me arranjam uma escola para eu exercer as minhas funções atribuíram-me uma escola, suponho que ao calhas, mas agora também estou a especular, só para eu diariamente ir lá, assinar o livro de ponto e cumprir o horário normal de cinco horas para justificar o meu ordenado mensal. Ou seja, fui colocada administrativamente.

Pertenço à escola administritativa mas não faço lá nada. Brevemente, espero, irei para outra. Contudo, assisto a reuniões dessa escola, assino as actas, digo que sim com a cabeça e às vezes, quando apanho as minhas colegas mais caladas, que independentemente das circunstâncias são colegas para todos os efeitos, intervenho com algo da minha experiência de docente que julgo ser útil, com o intuito bem profundo de apenas passar bem o tempo.

Entretanto, estou a perder reuniões onde, obrigatoriamente, eu devia estar presente na “tal” escola que não chega. E quando chegar, não vou saber de nada porque não estava lá. A senhora ministra, Dra. Lurdes, quer o “mais fazer” em vez do “mais mostrar”. Concordo, mas não é assim, colocada administrativamente, que eu produzo.

Estou danada. Estou furiosa até à ponta dos cabelos. Nestas alturas sinto que não sou eu. Alguém (Calígula, Gengis Khan, Torquemada?) sopra-me nos ouvidos acções individualistas e anti democráticas para um resolver um assunto que me faz de palhaça.

O que me deixa furiosa realmente não é bem a ineficácia do sistema mas a minha impotência para resolver as contrariedades que surgem. Esbracejo, abano negativamente a cabeça que imediatamente seguro com as mãos para se manter no sítio, quase que bato com os pés no chão. Mas as coisas estão de pedra e cal escarrapachadas em despachos com números pomposos (inventados por vipes minesteriais que nunca puseram os pés numa escola um dia inteiro) como o 910 ou o 83 que eu não sei se existem, mas quase que estou certa que existem e que se destinam a atrapalhar-me.

Um dia destes matriculo-me em gestão hoteleira e abro um tasco onde só eu sou a manda chuva e não me venham cá dizer como devo estrelar ovos.
da Leonor

31 Comments:

Blogger Paula Raposo said...

Bem verdade. É que sem ovos também não se fazem omoletes!! Beijinhos para ti, bom fim de semana.

3:24 PM  
Anonymous th said...

Olá Leonor, ainda bem que explicaste, que eu já estava a pensar o quanto burra e desenformada eu era com esta sigla...vai tudo correr bem, tens é que ter calma, pelo menos vais ficar perto de casa e da família, embora eu pense que a experiência no Norte foi positiva.
Beijoka, theo

3:26 PM  
Blogger Leticia Gabian said...

Querida,
Sua indignação é mais do que justa. Fico a me colocar no seu lugar e sinto o quanto essa situação é desconfortável. Só posso desejar que as coisas se desenrolem bem e que tudo termine de forma favorável a ti.
Tente manter a calma e se manter inteira. Acima de tudo, pense que tudo vai dar certo. Fico daqui na torcida.
Beijão pra ti.

4:36 PM  
Blogger pitanga said...

Posso fazer uma pergunta inocente? Onde estudam os filhos dos senhores Ministros, Deputados e a fins? Na Suissa? Porque todos os anos se repetem essa incapacidade de organização que deve refletir nos alunos,ou não? Devem faltar professores numa escola e sobrar em outra.
beijos

4:49 PM  
Blogger Nilson Barcelli said...

Nunca percebi bem o processo de colocação de professores. Também não admira, pois tive o azar de não ter optado pelo ensino.
Azar? Sim, eu disse azar, pois já estaria reformado.
Mas, por outro lado, tive imensa sorte, pois iria desgastar-me inutilmente como tu. A impotência é o pior das situações, pois só afecta os melhores... Claro que não sei se seria dos melhores, mas sei (porque sinto) que tu pertences ao grupo (20%?) de professores que gostaria de dar o mais possível ao sistema e aos alunos.
Se te serve de consolação, informo-te que eu não sei se sei estrelar um ovo. Nunca me atrevi. Mas a tua ideia do restaurante não parece má. Ficarias rica em pouco tempo e, se calhar, com menos esforço. Com menos impotência é de caras... o sistema era teu, serias tu a Lurdes que dizia como seria a colocação dos ovos na frigideira...
Beijinhos e bfs.

5:29 PM  
Blogger AS said...

A DrªLurdes divia aprender a estrelar ovos! O grande mal é que, seguramente, teve sempre quem lhos preparasse...
Porém há uma pergunta que faço a mim mesmo: Serão assim as coisas tão demasiado óbvias? Se são, que firças impedem que se tomem as medidas mais adequadas? Será que os ministros serão assim tão incompetentes que não vejam o óbvio? Não acredito!!!
Seguramente que não se sabe a verdade toda e para ser franco, nem estou interessado em saber!...


Um abraço do AL

6:33 PM  
Blogger Luna said...

É tão triste o que se passa no nosso pais, as pessoas não passam de um simples numero, cada vez menos importa a parte humana, até para as crianças seria bem melhor se não houvesse tamto desgaste psicologico dos professores.
beijinhos

7:39 PM  
Blogger Paulo Sempre said...

upssssssssss!! encontrei este blogue mesmo em "braza"...!!!!
Há muitas injustiças...!
A verdade é que o Ministério "pensa" no interesse de todos os professores...(no grupo) e, quando assim é, há sempre vozes descordantes...
Bjs
Paulo

8:46 PM  
Blogger APC said...

E depois admiram-se que um tipo se passe e saia de casa com a caçadeira em riste!... ;-)
Podes lá tu empenhar-te seja no que for, sabendo que estás longe do local e das pessoas com quem é suposto vires a trabalhar, e que os "teus meninos" estão a ser acompanhados por outrém que não a sua professora, que és tu?
Bem... Para além de continuar na maior torcida para que tudo se resolva o mais rapidamente possível, queria ainda pedir-te que, se acaso abraçares a carreira alternativa mo digas. Porque um bitoque "perfeito", com um bife saboroso e passado na conta certa, a batatinha cortada à antiga, não muito escura e mais macia que estaladiça (à tasca), o ovo estrelado direitinho sem a clara crua, de preferência com a gema um pouquinho esbranquiçada pela passagem do óleo, e com aquele molhinho bem condimentado onde molhar o pão, é coisa que já raramente se encontra.
Estou certa de que farias os melhores bitoques da região e arredores e depois ensinavas a arte e o mundo ficaria muito melhor! :-)
Bom, mas por enquanto, torcemos é para que te dêm o fogão certo e as panelinhas que te pertencem, porque é impossível fazer-se bons cozinhados sem condições.
Um abraço!

9:07 PM  
Blogger António said...

Querida Leonor!
Que bem convertes o estado de irritação num post carregado de boa disposição e humor (mordaz, como sempre).
É sempre um prazer ler o que escreves.
Obrigado pela tua visita e por não seres impertinente.

Beijinhos

9:45 PM  
Anonymous Anonymous said...

Olá, Leonor!
Espero que este teu problema em concreto se resolva o mais rápido possivel.
Bjs

12:27 AM  
Anonymous José Gomes said...

Não esqueças...
Quando abrires o "tasco" avisa que mando a malta toda cá do norte provar os teus petiscos...
Parece-me que voltas a ser, de novo, a Leonor, a Mafaldinha do Quino que tanto admirei em ti: a contestatária.
Passa pelo Movimentum...
Uma bom domingo e uma boa semana.
Um abraço

12:49 AM  
Blogger viajante said...

Um abraço, Leonor. Não há dúvida que professora sofre...

8:18 AM  
Blogger happiness...moreorless said...

sempre quis perceber melhor como funcionava o processo da colocação de professores por isso li atentamente as tuas palavras.
ainda bem que existem pessoas como tu que escrevem assim e mostram a sua revolta perante este tipo de situaçoes que so podem ser inadmissiveis!

boa sorte!

um beijinho*

12:41 PM  
Blogger JLBM said...

Essa ministra já me dificultou a vida e agora a dos professores...não gosto nada dela!

1:08 PM  
Anonymous Ana Joana said...

Olá Leonor,

Tu sem alunos e eu com dois tão bons para ti! É que os meus gemeos entraram para o 1º ano e eu adoraria que fossem teus alunos! Posso subscrever uma lista a solicitar à Lurdinhas que venhas para a Portela? Podes crer que arranjava quorum (a minha capacidade manipulativa para levar os restantes pais a assinarem não falharia). Há de facto desperdicios que dão uma raiiiiva!

Votos de colocação breve (já agora, aqui rsss).

Beijinhos
Ana Joana

2:38 PM  
Blogger Luisa said...

Que situações mais insólitas! Não sabia que as colocações funcionavam assim!

4:06 PM  
Blogger Leonoretta said...

para Ana Joana

ola. por fim matas o silêncio, rsss e que é bom é ouvir-te novamente.

por acaso já estive perto da portela e gostei. a turma era excelente.

mas nao te preocupes. já tenho alunos. afinal, embora atrasada ainda cheguei a tempo. (isto é um paradoxo não é?)

beijinhos da leonoreta

5:38 PM  
Anonymous Bartolomeu said...

Honrosa Leoa...
Sempre que oiço o tema que "embala" sonoramente o teu blog, não evito divagar um pouco pela imágem do "grande" D. Quixote. Esse mesmo, o que combatia valentemente gigantes imaginários, em defesa de valores de cavalaria, de forma a ser merecedor do coração de Dulcineia. Sempre, sempre e incondicionalmente acompanhado pelo seu fiel Sancho. No tempo em que D. Quixote andou pelo mundo conecia-se uma bitola, chamava-se lei, moral, regra, conceito, procedimento ou bom senso, qualquer uma delas valia para regular o que não se regulava por si. Todos chegamos um dia á famigerada encruzilhada, onde uma atitude é necessário que se tome. A opção de ires estrelar ovo para um tasco, não me parece adequada á tua capacidade de observação e denuncia do errado. Imagino que muito cedo estarias a espetar com a frigideira nas fuças de um cliente que só por embirração desfeiteasse o teu menu. Como não possuo as qualidades de vidência, tb não vou cometer a inconveniencia de te apontar qualquer solução. Os acomodados dirião... o que não tem remédio, remediado está. Os esperançosos... amnhã, um novo dia será. Os plácidos... quem não se sente, não é filho de boa gente. Os crentes... Atrás de mim virá, quem bom de mim fará. O Paulo Coelho... Segue o teu coração e age de acordo com os seus conselhos. Eu acrescento... e vai jogando no euromilhões, pode ser que te saia e entretanto vendem o ministério da educação em hasta pública, com alunos e tudo.
hehehehe

1:47 PM  
Anonymous JMC said...

Olá,

Parece que, foi mais uma vez apanhada por uma variante da chamada doença de colocação de professores, só que desta vez mais perto de casa e portanto, com pelos menos apoio moral, mas, este Ano não perdeu o sentido de humor, que diga-se de passagem está bem afiado.

Boa semana.

JMC

2:31 PM  
Blogger Barão da Tróia II said...

Pois é cara Leonor, a triste sina do ensino nesta terra de lorpas. Boa semana

4:22 PM  
Blogger o lápis said...

Podes crer.


Solidarizo-me contigo e se quiseres, vou para lá fazer saladas de fruta e sangria :)

porque isto só com muita sangria é que se consegue fazer qualquer coisa! :)


Van

6:03 PM  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Leonor
Mas já atingiste o estatuto de QZP... parabéns! Pior seria estar desempregada. As coisas são complicadas e o Estado nunca foi bom patrão, mas confere segurança no emprego (para quem for funcionário público) e na reforma.
Um beijo
Daniel

7:38 PM  
Blogger Vanda Baltazar said...

Efectivamente os meus finais são insólitos...julgo que aprendi com a vida, que sempre me conseguiu premiar com finais muito, muito, "insólitos" :))

beijinhos

Van

9:57 PM  
Blogger MT said...

Gostei imenso do texto...realmente é verdade que as directrizes ministeriais nada tem a ver com a realidade quotidiana das escolas.
Gosto da ideia de abrir um tasco, penso um dia conseguir abrir um meu, daqui a muito tempo, algo para me entreter quando chegar a altura da reforma :)

Beijinhos

1:02 AM  
Blogger aldina said...

Eu sinto uma vergonha e uma indignação tão grandes por estar num país que não se esforça, politicamente, para fazer entender minimamente a toda a gente o que é a nobreza, pela utilidade determinante para o futuro da Humanidade, inclusivé, da profissão/missão dum Professor!?

Até sempre

1:52 AM  
Blogger Flor said...

Oi Leonor!

Difícil ter paciência quando se trata de querer trabalhar direito e depender de outros...

Aqui no Brasil tb temos muitos entraves na educação...
Hoje me vejo frustrada pois em minha escola os portões ficam abertos no período da tarde - que vai das 13 as 18:20hs, e no último período, depois do intervalo quase não ficam alunos...

A direção acha que "os bons ficam" mas o que vemos, não é bem isso... Me entristece e aborrece e fico a pensar, o que eu posso fazer para mudar esta situação?

Nosso períod da tarde já tem poucos alunos, somente 7 das doze salas são ocupadas, e ainda por cima, agora isto...

1:57 AM  
Blogger augustoM said...

Compreendo o que é trabalhar sem fazer nada, um paraiso para os calões e um inferno para os trabalhadores. É o país qe temos, e não nos vamos livrar deles tão cedo.
Um beijo. Augusto

2:01 PM  
Blogger pitanga said...

Leonoreta, vai ao Pitanga. Há flores para ti.
beijos

3:58 PM  
Blogger António said...

Querida Leonor!
Venho aqui agradecer o teu comentário ao post d'"A tropa".
E dizer-te que me dá sempre um grande gozo a ironia e mordacidade com que escreves.
Deliro!

Beijinhos

10:26 PM  
Blogger Nilson Barcelli said...

Só amanhá é que há nova edição?
Paciência, volto depois...
Bom fim-de-semana.
Um beijo.

3:15 PM  

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