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Mínimo sou, mas quando ao Nada empresto a minha elementar realidade, o Nada é só o Resto. Reinaldo Ferreira

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Saturday, August 12, 2006

Repórter X na Gulbenkian em Lisboa



Fui visitar a Gulbenkian. É um espaço cultural bonito. Tem sempre exposições interessantes e o seu jardim é formidável.
Fui lá para ver a exposição de pintura de Dominguez Alvarez, filho de pais galegos radicados na cidade do Porto, nascido em 1906 mas, logo à entrada do Museu de Arte Moderna surpreendi-me com a visão de uma casa de forma hexagonal feita de livros que, pelo que vim a observar - a minha veia detectivesca de Repórter X - eram todos edições antigas da Gulbenkian e, dando uma volta cuidadosa a toda a construção pude ver que o livro que menos se vendeu foi o Manual de Química: largos calhamaços que asseguravam - seguramente - o equilíbrio daquela casa.
Como havia muitos e como até gosto de química... ainda me lembro de duas cábulas: "bico de pato" que queria dizer que um sulfúrico sob determinadas circunstâncias passava a sulfato e "Frederico no espeto" que queria dizer que o tal mesmo sulfúrico passava a sulfeto, segundo outras circunstâncias, (ainda bem que eu segui letras)... mas como dizia, como havia muitos tentei retirar um para mim mas avisaram-me logo que não podia fazer aquilo.

O chão da casa estava coberto por um vidro espelhado que dava a ilusão de, simultaneamente, uma grande profundidade e de uma grande altura, provocando vertigens nalgumas pessoas. Uma passadeira no meio ajudava os mais corajosos a atravessarem os cinco metros de corredor. Confesso que o atravessei com alguma sensação de desequilibrio mas não resisti a olhar para baixo, esquecendo-me de olhar para cima. Tem uma certa lógica e não estou a defender-me: é que para cima sei que não caio e não corro riscos. Para baixo, o caso muda de figura e além disso é a tentação do precipicio.

Aqui é a vista para baixo, dando a sensação de profundidade.


Aqui é a vista para cima, dando a sensação de altura. A mão com a máquina fotográfica pertence ao VP, pois claro.


Depois fui ver as pinturas do já referido pintor, Dominguez Alvarez. Gostei de muitos dos seus desenhos e ainda pensei que um deles ficava bem na minha sala mas o segurança disse logo que não. Mas de onde é que aparece esta gente? Palavra de honra.

da Leonor

Faço aqui uma nota:

À medida que ia recebendo os comentários achei um de um visitante anónimo, que me dizia assim - que eu vou transcrever na íntegra.

Os ácidos terminados em "ico" dão sais terminados em "ato".BICO DE PATO

Ex: ácido sulfúrico dá sulfato de...(sódio)

Os ácidos terminados em "oso" dão sais terminados em "ito"OSSO DE CABRITO

Ex: ácido sulfuroso dá sulfito de...(sódio) Os ácidos terminados em "ico" mas sem átomos de O2 na sua moléculadão sais terminados em "eto"FREDERICO NO ESPETO não conhecia.

Ex.: ácido clorídrico dá cloreto de...(sódio)

E não há SULFETOS!!!!

rsssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss, desculpe. Só mostrou que leu o meu texto com atenção, que afinal era o que eu queria e, também, às tantas se o meu amigo reparou, a meio do discurso eu disse que tinha seguido letras. Ora porque seria?!

Seja como for... agradeço-lhe a rectificação.

19 Comments:

Blogger António said...

Minha querida Leonor!
Adoro a tua escrita e o teu humor, bem patentes neste naco de prosa que se lê com imenso agrado.
Parabéns pelo post e

Beijinhos

12:38 PM  
Blogger Paula Raposo said...

Está lindíssimo o teu texto! Com as fotografias enquadradas nas palavras! Gostei imenso. Beijos, bom fim de semana.

1:12 PM  
Blogger travessias said...

Se não fosse o segurança, havia agora um Dominguez Alvarez na parede de tua casa...
(Com a cumplicidade de V.P.)
Boa semana para vós.

1:45 PM  
Blogger JLBM said...

Bem e ler aqueles livros todos...

2:06 PM  
Blogger rouxinol de Bernardim said...

Bem observado, Reporter Y!!!
Se gostaste por que não "homenagear2 o artista "levando" um trabalho seu? Uns ingratos estes seguranças!!!
Convido-te a visitar a minha "galeria de arte"... espero u m comentário satírico, irónico e...à tua medida!...
Bom FDS!

5:17 PM  
Blogger Leticia Gabian said...

Adoro os textos bem humorados e, por consequ~ncia, aprendo a admirar e gostar muito de quem os escreve.
Um abração pra ti.

5:55 PM  
Anonymous José Gomes said...

Já percebi, Leonor,
Aos sábados tens um artigo novo.
Gostei das fotos, bem enquadradas num texto bem conseguido.
Veia de reepórter...
Não sei se já foste de férias ou se ainda vais.
Em todo o caso, tudo de bom e cuida-te!

Um abraço

5:58 PM  
Blogger Luisa said...

A Gulbekian é um oásis no meio desta Lisboa sem graça. Lá encontramos sempre de tudo, seja nos museus, nas exposições temporárias, no jardim!

7:43 PM  
Blogger augustoM said...

À casa feita de livros, podiamos chamar a vertingem da cultura. A cultura é uma autêntica vertingem, quando nos apnha dificilmente conseguimos fazer-lhe frente, só resta deixar-nos levar por ela.
Estou contigo, se tivesse de aprender química, era o maior nabo cultural. Química! só a alquimia da Pedra Filosofal.
Um beijo. Augusto

9:00 PM  
Anonymous jo said...

Adorei o teu no seu todo. Há muito que nada me agradava tanto. Parabens! Delicioso!
Bjs

12:54 AM  
Anonymous batista filho said...

Amiga querida, nem o tempo escasso me impede de aparecer por cá!
Gostei muito dessa casa. É uma casa de encher os olhos de quem sempre foi "rato de biblioteca", percebes?... as fotos então?! - adorei a participação especial da mão do VP. Um abraço pra ele... ou diria melhor - um aperto de mão caloroso?! - na dúvida, vai um abraço e um aperto de mão.

Quanto ao texto, achei um primor!!! Parabéns.

Deixo o meu abraço fraterno.

11:40 AM  
Blogger Daniel Aladiah said...

Querida Leonor
E seguiste bem... mas serias boa a ciências se quisesses. Não há inteligências para situações particulares,mas sim gostos...
Um beijo
Daniel

8:22 PM  
Blogger Arte por um Canudo 2 (No Sapo) said...

Excepcional!..Gostei muito do texto, da forma como transmites os teus recados e ai daquele que diga que não é assim..também apanha e ainda da boa ideia das fotos.Parece que esse segurança é mesmo seguro, não foi capaz de ceder à tua tentação. Beijinhos

12:48 AM  
Blogger Eva Shanti said...

Foi bom passar por aqui para me lembrar que tenho de passar pela Gulbenkian. Já sabia da dita casa de livros, mas entre tanta coisa tinha-me esquecido e é algo imperdível!

As fotos estão fantásticas! Adorei! Dá mesmo vontade de ir a correr!

Bjs

1:41 PM  
Blogger APC said...

Nossa!... Quanta energia sorridente nesse texto! :-) Por entre impulsos de rapto de obras de arte e contas (des)feitas às mneumónicas de química de um tempo que lá vai, eis-nos presos à vertigem... Não só àquela que descreveste, mas à que resultou da tua descrição! :-)

5:19 AM  
Blogger Mocho Falante said...

Tenho de ir ver essa casa de livros pá!!!! A nossa Sebenta também passou por lá e adorou a exposição e claro a dita casa....

Tou a ver que tenho de dar um salto até lá

beijocas

10:44 AM  
Blogger SaltaPocinhas said...

Adoro matemática mas sempre detestei quimica. Não me lembrava de nada disso.
Eu não tinha coragem de atravessar essa passadeira, quase fiquei com vertigens só de olhar para a foto!!
Ficava cá fora maravilhada a olhar para tanto livro!!

7:03 PM  
Anonymous Anonymous said...

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1:31 PM  
Anonymous Anonymous said...

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11:47 PM  

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